Entrevista com Adrián Nardelli: as decisões que ajudam um scalper a manter o controle
Após uma operação com prejuízo, Adrián Nardelli fecha as telas e sai do escritório. Ele aprendeu que permanecer à mesa de trabalho tentando recuperar um prejuízo pode levar a operações motivadas pelo desejo de vingança. Essa é uma regra prática que desenvolveu ao longo de anos decidindo quando entrar no mercado e quando se afastar.
Mas quem é Adrián Nardelli? Adrián é um trader, especialista em scalping e educador da equipe Pro da Exness que realiza operações ao vivo com sua comunidade. Nesta entrevista, ele fala sobre como se prepara para o mercado, por que algumas sessões terminam sem negociações e como a execução afeta suas operações de scalping.
Como é a sua preparação antes de começar a negociar?
Normalmente, trabalho no meu home office, onde consigo me concentrar sem muito barulho externo. Minha preparação começa na noite anterior, quando confiro as principais notícias previstas para o dia seguinte. De manhã, analiso o que aconteceu nos mercados, incluindo os acontecimentos durante a sessão asiática e as observações compartilhadas pela minha comunidade. Depois, respondo e-mails e organizo meu dia.
Antes de uma entrada, verifico os instrumentos que opero no meu período habitual e, em seguida, em um período mais longo, como o de um gráfico de uma hora. Se a tendência geral do mercado não confirmar o sinal de entrada, eu o descarto. Também verifico notícias econômicas de alto impacto, porque um movimento repentino pode mudar rapidamente as condições para uma operação de scalping.
O que ajuda você a alcançar o estado mental ideal?
A própria rotina. Por volta das 10h15, abro uma sala de negociação ao vivo e analiso o mercado com minha comunidade de cerca de 500 pessoas antes da abertura do mercado. Isso me ajuda a manter o foco e seguir as regras que eu ensino. Se recomendo que parem após um prejuízo, podem observar se eu também sigo essa orientação.
O golfe me ensinou algo parecido. Antes de uma tacada, você segue uma rotina e imagina o que pode acontecer. Antes de uma operação, considero dois ou três possíveis movimentos do mercado e como reagiria a cada um deles. Eu não posso decidir o que o mercado vai fazer, mas posso decidir como vou reagir.
Essa rotina mudou ao longo dos anos?
Sim. No início da minha carreira, eu realizava operações enquanto trabalhava em tempo integral. Eu tentava fazer uma operação rápida e depois voltava ao trabalho. Eu nunca dava atenção suficiente à preparação antes de operar.
Agora, evito ocupar minhas manhãs com tarefas que possam me distrair. Passo mais tempo me preparando do que gerenciando uma operação. Uma operação de scalping pode durar apenas alguns minutos, mas as decisões que a envolvem são tomadas muito antes. Essa mudança também me permite passar as manhãs com minha filha. Não costumo compartilhar esses momentos nas redes sociais, mas eles são muito importantes para mim.

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Quando você sente mais pressão como trader?
Com certeza, depois de entrar em uma posição. Antes de abrir uma operação, já fiz minha análise e tenho uma ideia do que espero que aconteça. Quando estou no mercado, preciso aceitar que não tenho controle sobre ele. A pressão vem de ter que seguir o plano que estabeleci quando o preço se comporta de maneira diferente do esperado. Às vezes, isso significa encerrar a posição e aceitar o prejuízo.
No início da minha carreira, eu queria que minha análise estivesse certa o tempo todo. A experiência me ensinou que posso me preparar com cuidado e, ainda assim, estar errado. Eu preciso reagir ao que acontece.
Como você diferencia uma decisão racional de uma decisão emocional?
Uma decisão racional se baseia em condições que estabeleço por escrito antes de abrir uma ordem. Incentivo meus alunos a manterem o sinal de entrada e a lista de verificação à vista, além de terem clareza sobre quando entrar no mercado, quando sair se algo der errado e o que esperar da operação.
Uma decisão emocional pode começar com uma entrada que não condiz com a minha estratégia. Percebo isso rapidamente porque me pego gerenciando a operação de forma defensiva. Depois de um prejuízo, posso sentir vontade de recuperar o dinheiro em vez de esperar pela próxima oportunidade de entrada. As emoções não desaparecem quando abro uma ordem, por isso volto ao meu plano, incluindo o stop loss e a meta de lucro.
Quando não fazer nada é a melhor decisão?
Com bastante frequência. No scalping, o preço pode se aproximar da minha zona de entrada e se afastar antes que eu consiga entrar. Se eu tentar acompanhar o movimento, talvez precise ampliar meu stop loss e aceitar que a relação entre risco e retorno potencial mudou. Essa já não é a operação que eu planejei, então deixo passar.
Os mercados também podem permanecer lateralizados por dias. Percebo que alguns traders aumentam o tamanho de suas posições por frustração diante da falta de oportunidades. Algumas sessões ao vivo consistem inteiramente em análise. Mesmo assim, esse tempo pode ser bem aproveitado.
Por que a qualidade de execução é tão importante para a sua abordagem?
Para mim, a qualidade de uma operação é mais importante do que a quantidade de ordens. Como minhas operações são curtas, o preço de entrada é importante. Se uma ordem for executada a um preço diferente do planejado, a distância até o stop loss e o retorno potencial podem mudar imediatamente.
Na minha opinião, uma boa execução tem duas partes. Depende de mim seguir meu plano e colocar a ordem no momento certo. Também preciso considerar as condições de execução da corretora. Dito isso, valorizo a qualidade da execução que encontrei na Exness, mas também entendo que ainda pode haver derrapagem, especialmente quando os mercados se movimentam rapidamente ou a liquidez diminui. Por esse motivo, evito negociar perto dos horários de divulgação de notícias econômicas de alto impacto.
O que você observa ao avaliar spreads?
O spread é um dos custos de negociação. Para um scalper, um spread mais amplo pode consumir uma parte significativa do retorno potencial de uma operação curta ou aumentar o prejuízo. Por isso, não considero apenas o spread apresentado em períodos de baixa volatilidade. Quero entender como os custos variam quando o mercado está mais movimentado e se a estrutura de spreads e comissões da conta é adequada à minha abordagem.
Também analiso as opções de conta. Spreads reduzidos com uma comissão cobrada à parte podem ser mais adequados à minha abordagem do que outras estruturas de custos. Observo o comportamento dos instrumentos que opero nos horários em que costumo negociar. Os spreads podem se ampliar conforme as condições de mercado mudam.
Como você define seus limites de risco?
Procuro não arriscar mais de 1% do saldo da minha conta por dia. Como eu geralmente faço no máximo uma ou duas operações, uma única operação muitas vezes consome esse limite diário de risco. Esse limite me impede de aumentar o tamanho da posição na tentativa de recuperar um prejuízo imediatamente.
Considerando meu estilo de negociação, valorizo a proteção contra saldo negativo da Exness: se as operações fizerem o saldo da conta ficar negativo, esse saldo será zerado. Sim, você ainda pode perder os fundos na conta, mas isso oferece uma proteção extra. Quando disponível, o nível de stop out de 0% da Exness também ajuda, pois as posições são encerradas automaticamente quando o nível de margem chega a 0% ou o capital líquido chega a zero. Isso é diferente do stop loss que defino para uma operação. Nenhuma dessas funcionalidades substitui meus limites de tamanho de posição e risco diário; elas complementam esses limites.
O que você faz depois de uma operação ou sessão difícil?
Eu encerro a transmissão ao vivo, desligo minhas telas e saio do escritório. Antes, quando eu ficava diante do gráfico após um prejuízo, sentia vontade de operar novamente para recuperar o dinheiro perdido. Agora, posso ver o que minha filha está fazendo, preparar uma refeição ou dar uma caminhada. Mudar de ambiente me ajuda a aceitar que a sessão acabou.
No início da minha carreira, eu mantinha um diário de negociação. Eu registrava os motivos de cada entrada e como reagia aos prejuízos, não apenas os resultados. Isso me ajudou a identificar o que precisava mudar. Eu não uso mais um diário com a mesma regularidade, mas ainda aplico o que ele me ensinou.
O que você mais demorou a aprender sobre a psicologia da negociação?
Paciência. Eu comecei com swing trading, em que uma pequena diferença no preço de entrada não afetaria tanto a minha abordagem. Ao passar a realizar operações mais curtas, precisei aprender a esperar até que o preço atingisse o nível desejado e as condições planejadas fossem atendidas. Não foi algo que aprendi a dominar de uma hora para outra. Os prejuízos causados por entradas precipitadas foram se acumulando. Com o tempo, aceitei que não preciso operar o tempo todo.
O esporte também me ajuda a me desconectar dos mercados. Jogo golfe, pratico boxe e, às vezes, faço caminhadas sem companhia enquanto ouço música ou um podcast que não tem relação com o mercado financeiro. Essas pausas me ajudam a retomar as operações com menos ansiedade. A negociação também me ensinou a aceitar meus erros, lidar com os contratempos com mais calma e levar um pouco dessa paciência para o dia a dia.
As respostas de Adrián foram traduzidas do espanhol e editadas para maior clareza. As respostas preservam seu estilo de expressão, mas não são transcrições literais.
Este artigo não constitui recomendação de investimento. O desempenho passado não é garantia de resultados futuros. As informações, os dados, os preços e as condições de mercado apresentados neste artigo estão corretos na data de publicação e podem mudar ao longo do tempo. Seu capital está em risco. Opere com responsabilidade.